Eu não sou promíscua. Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro. C.L.



sexta-feira, 9 de outubro de 2009

E quando ela menos esperava, ele apareceu. Apareceu como um anjo. Alguém que a faz somente o bem. Acordou com o soar da campainha. Eram as flores que ele a mandou com um cartão. Ele logo chegou, e entrou como um vento quando suaviza a face e lascou um beijo. Ficaram por lá, sentados à cama, rindo de tudo, felizes como uma criança quando acaba de ganhar um doce e os olhos enchem de brilho. A risada era tamanha mas com um soluço interrompendo um ataque de riso, ao se inclinar, os rostos se encontraram de tal maneira que se movessem por mais um milímetro a boca tocava. E o silêncio se propagou de um jeito que se era possível escutar o tic tac do relógio. Por mais uns minutos, que mais se pareciam 24 horas inteiras, ficaram ali. Após o acontecimento viram que estavam atrasados, e como todas as manhãs que, por coincidência se atrasam, terminam de se arrumar e saem na correria. Ele abre o portão e ela goza da felicidade quando ele fala: _As damas primeiro. Vão caminhando com as mãos dadas, os olhos cruzados e os corações entrelaçados. Rindo, um riso malicioso, refletindo os coquetéis de sentimento que vem de dentro. Conversando sobre as coisas mais bobas que se pode conversar. O andar é como estivessem flutuando em um mar de margaridas e, não viam uma alma viva na rua a não ser a alma gêmea que estava ao seu lado. Ao chegar no trabalho, o qual trabalham juntos, o chefe vinha com uma expressão facial não muito boa, só para entenderem que estavam atrasados. Mas era só o chefe dar as costas e os dois cairiam no riso, quando então ela fala: _ Amo quando fazemos coisas erradas. E a cada palavra dita, beijo lascado e olhar trocado; o festival de sentimentos parecem se alvoroçar ainda mais e então o sentimento aumenta. Pela porta de vidro do outro setor, se olhavam e trocavam palavras mesmo que não saísse som algum, se entendiam só pelo olhar, só por uma simples expressão. Chega a hora do almoço e o expediente lá, aguardando para ser acabado e as mãos se tocarem novamente. À tarde iriam se sentar em baixo de uma árvore qualquer, e ficar horas ali, admirando o som do violão e ao cantar uma canção se relembrariam de todos os momentos passados juntos, desde o segundo em que se vira. E então voltariam para casa ansiosos para deitarem no colchão e esquecerem de si mesmos no momento em que uma noite de amor pode durar. E assim vai ao longo dos dias; olhando, rindo, amando, se divertindo. Como se nada importasse. Mas ah, combinemos e cá pra nós, nada importa mesmo, quando se pensa em dois.