Eu não sou promíscua. Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro. C.L.



segunda-feira, 30 de abril de 2012

Hey amigo

Deambula, mexa-se um pouco mais.
Ela deambula, nas tuas avenidas e ruas.
Poe os homens, aos seus pés tão ternos.
Barcelona o faz compreender que
ela se engana, por qualquer que seja a emoção.
Ela se engana pois ela é como tu, um gato que ondula,
que faz suas peripécias.
Ela escapa de raspão.
Hey amigo,
Ela quer o alto, ela quer tua pele.
Ela está sobre as tuas costas, uma tatuagem.
Hey amigo, ela quer a beleza de um amor sem maquilagem.
Deambula mexa-se um pouco mais.
Ela deambula nas tuas avenidas e ruas.
Coloca o véu em sua doce face.
Barcelona a põe de refém.
Ela se entrega, qualquer que seja o peso.
Ela se entrega pois ela é como você, um gato,
que minoda e sauda o homem
Ela manipula aquele que diz não.
Hey amigo, ela quer o alto, quer tua pele.
Está sobre tuas costas, uma tatuagem.
Hey amigo ela quer a beleza de um amor sem maquilagem.

Alizée

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Veracidade

Eu me desmonto inteira e um segundo depois me refaço em pedaços.
Sublime dia em que você me perguntou se a cadeira estava ocupada
e eu disse não.

Um lugar qualquer da rua XX



Era noite de um sábado, lá fora chovia forte e o vidro do carro embaçado. A cada semáforo vermelho, nos beijávamos e sua mão deslizava. Riámos de coisas bobas, conversávamos sobre o dia no trabalho, falávamos sobre a correria do dia, o sofá da sala, a cama do quarto. Relembrávamos da noite anterior. Silêncio. Passando por uma rua escura, ele resolveu parar. Estacionou o carro numa rua estreita e sem movimento. Estávamos só nós, a luz no poste e o barulho do relógio. Afastou o banco para trás, travou as portas, foi quando eu sorri e ele me puxou. Me puxou pela cintura, por baixo da blusa e começou a lentavanta-la. Começou por beijar o canto da boca, depois seguiu para ela. Enquanto segurava a nuca não mudava o olhar, continuava com os olhos fixos aos meus. Deitou-me sobre o volante, beijando-me o pescoço, mordeu. Ao deslizar o corpo desabotoou a camisa. Seguia os beijos. Seguia a mão. Seguia o desejo. Os lábios descendo à barriga, desabotoou a calça. Sussurrou: E agora? Você é quem decide, respondi. Sorriu. Segurou-me forte. Encaixou-se. Nos esquecemos de nós mesmos, do tempo, do mundo. Já era madrugada quando um policial bateu no vidro. Nem escutamos. Embaçamos o vidro ainda mais. Começou a bater forte na porta, nós achando que era nós mesmos. Começou a ficar mais forte e mais forte, rápido e lentamente, quando puxei seu cabelo e me apertou a cintura. Te amo dissémos juntos. E o que tinha ficado mais forte continuou, era o policial batendo, tivémos que nos arrumar. Quando abrimos a janela, veio uma luz forte da laterna, nos distraiu os olhos. Na verdade era o sol a bater no rosto enquanto acordo.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

És o homem que anda em minha rua
branda, serena, luz da lua
faz-me adivinhar estranha loucura
que em teus braços procurarei ternura.

És o homem que tanto tanto ama
como o amor ama o barulho
como o mar ama o burbulho
como crepúsculo ama o escuro.

És o homem que me encanta
com letras me acalanta
com melodias me canta
com as notas me balança.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

(a)caso

De caso com o acaso
se for por acaso
eu caso
se não for o caso
com o acaso
então não caso
espero o acaso
casar.
É alguém que me arranca suspiros
beijos, sorrisos.
Que me arrepia a alma,
me beija a nuca,
me enlouquece e acalma.
É alguém que me chama de pequena
faz-me sentir grande
me ama imensamente.
Que me espera com abraços
me faz esquecer das horas
me toca sem encostar
que eu entendo só de olhar.
Alguém que me tira saudades
me tira o chão.
Alguém que eu queira esquecer
só para ter que lembrar depois.
É aquele alguém do meu sonho.
É aquele alguém de quem preciso.