Eu não sou promíscua. Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro. C.L.



domingo, 24 de junho de 2012

- Vamos fugir?
Estava esperando esse convite!
- Para onde?
Para qualquer lugar que seja sussegado, calmo e bonito.
- Todo dia de manhã, flores que a gente regue.
E que tenha uma rede pra gente deitar à tarde e de noite ficar vendo o céu.
- Teria coragem de uma loucura dessas por amor?
Eu teria. Amor a gente só tem um, vida a gente só vive uma vez. Tem que aproveitar enquanto dá, fazer o que tiver vontade, não ficar se limitando, pensando que não pode dar certo, tem que sempre arriscar.
- Verdade. Vamos fugir quando então?
Vou pegar minhas coisas, passo ai em 5 minutos, tá bom?

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Amar é descobrir os avessos. É olhar o outro lado, o nunca visto, o não investigado. Amar é exercício de investigação, de constante e atenta observância. Só o observar silencioso da existência nos capacita para uma formulação de palavras. Só pode dizer alguma coisa sobre uma pessoa, aquele que soube demorar, que soube ficar, permanecer, vigiar, descobrir. As palavras reveladoras só nascem depois da observação silenciosa. Uma mulher não se sente amada no momento em que o homem lhe proporciona uma noite de amor, apenas. Mas sobretudo no momento em que se sentam à mesa de um restaurante, e sem que ela diga nada ele lhe pede o prato favorito. Amar é descobrir os gostos, os sabores particulares, os desejos mais ocultos. Amar é saber a cor favorita, o número que calça os pés, o que causa medo e o que encoraja.

Padre Fábio de Melo