Eu não sou promíscua. Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro. C.L.



sexta-feira, 25 de maio de 2012

Havemos de voltar

Às casas, às nossas lavras
às praias, aos nossos campos
havemos de voltar.

Às nossas terras
vermelhas do café
brancas de algodão
verdes dos milharais
havemos de voltar.

Às nossas minas de diamantes
ouro, cobre, de petróleo
havemos de voltar.

Aos nossos rios, nossos lagos
às montanhas, às florestas
havemos de voltar.

À frescura da mulemba
às nossas tradições
aos ritmos e às fogueiras
havemos de voltar.

À marimba e ao quissange
ao nosso carnaval
havemos de voltar.

À bela pátria angolana
nossa terra, nossa mãe
havemos de voltar.

Havemos de voltar
À Angola libertada
Angola independente.

Agostinho Neto

25 de maio de 1972.
O Dia da África simboliza a luta dos povos do continente africano pela sua independência e emancipação, e representa a data da Libertação da África.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Transbordar

Felizes os que amam
e não desejam nada em troca
senão o amor de quem se ama
que o coração se derrama
de tanto amor que lota.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Epitáfio

Aqui jaz a rosa
que criou numa só prosa
tão terna tão formosa
de fosca à luminosa.

A rosa entregue a ela
a vermelha Rosa bela
a mais linda donzela
aquela que se fez vela.

A luminosa, escureceu
a vela, apagou
a rima, acabou
e quem por hora nunca amou, morreu.

sábado, 5 de maio de 2012

I drove for miles and miles
And wound up at your door
I've had you so many times but somehow
I want more.


terça-feira, 1 de maio de 2012

Enquanto a neve cai lá fora, nós caimos aqui dentro.
Dentro de casa, dentro de si.
Se perder. Nos lábios, nas curvas, nas suas, nas minhas.
Teu corpo me convida.
Então chega mais perto.
Está bom?
Mais.
E agora?
Sempre mais.
Nos perdemos.
Me puxa pela cintura, prolonga o beijo, me arrepia a nuca.
Abraço quente que aperta, agarra os lençóis, ama baixinho.
Amor que não se cansa.
Me provoca, me acaricia com o olhar.
Dedilha-me, como se dedilhasse um violão.
Desliza-me a perna, como uma dançarina desliza o tango.
O corpo que se desloca, o lábio que toca, o olho meigo que encara.
Foi-se uma noite de amor.