Eu não sou promíscua. Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro. C.L.



sábado, 10 de dezembro de 2011

Vem cá

Vem cá. Lembra daquele dia que a gente se conheceu? Você estava com seus amigos e eu com os meus. Lembro bem daquele sorriso que você abriu quando eu te olhei, e da sua mão passando no cabelo, quando eu retribui. Eu sei que você queria disfarçar, ficou envergonhado, você mesmo me disse quando se aproximou. Por falar em se aproximar, chega mais perto, não fica longe não. E por falar em estar longe, quando é que você volta? A saudade já está apertando. Falando em apertar, tava lembrando do nosso primeiro abraço, você também sempre lembra né, cada vez que a gente se abraça você fala. E por falar em abraço, quando é que vou receber o próximo? Aquele que você sabe que eu gosto. Abraço demorado e quando a gente se solta você me beija. E por falar em beijo, lembra do nosso primeiro? Estávamos sentados na sombra, embaixo daquela árvore, era carvalho né? Então você nos comprou um sorvete, eu disse que queria de morango e você de chocolate, acabamos por comprar de creme. Nós estávamos rindo, e de repente você vem com aquela desculpa de que eu tinha me sujado. Não queria falar nada, mas adorei essa desculpa, se desculpe mais vezes. Foi quando eu perguntei onde, e você falou do lado, eu perguntei onde, e você falou da boca, eu perguntei onde, e você falou que daria um jeito, eu perguntei onde e você me beijou. Não queria falar nada, mas vamos passar essa tarde comprar um sorvete de creme? Podemos voltar àquele lugar, do nome estranho que a gente sempre esquece. Àquele que a gente saiu em uma noite de inverno e você me pediu em namoro. Logo eu que tremo toda no frio, não me importaria de ficar mais alguns minutos no vento, olhando você sorrir e tremer a boca. Colocando meu cabelo atrás da orelha e sorrindo com os olhos. Às vezes me pergunto porque você não apareceu antes. Deve ser porque eu tava machucada e você também, assim deu tempo de arrumar a bagunça que ficou da última vez. Por falar em bagunça, nem queira ver nosso quarto. Depois que você saiu não arrumei mais não, eu sei que você gosta de organização, quando você ver vai brigar comigo. Mas logo falarei os motivos, certamente não iria tirar os lençóis, pois cada vez que deito para dormir, lembro de você aqui. Na noite passada você estava com aquele perfume que eu gosto. Outro motivo é que você vai ficar emburrado, e você não sabe como fica lindo desse jeito. Ah, sabe sim, eu sempre falo. Ainda você diz que não é verdade, e eu sempre insisto em dizer que fica. Mesmo não querendo você abre um sorriso, aí então você me beija, me pega no colo e me leva para cama. Vai dizer que a gente não se esquece da bagunça? Mais do que suficientes os motivos não é? Quando estiver voltando me avisa, que eu vou correndo para o banho. A gente poderia fazer que nem aquela vez, em que você falou para gente tomar juntos para economizar água. Você e suas desculpas. Por falar em desculpa, tenho uma. Tem a ver com economizar luz e acender velas, hoje a noite você vê. Por falar em velas, lembra de quando quase colocamos fogo na casa? Lembro bem como foi, como poderia esquecer sendo nossa primeira vez. Depois daquela vez você me contou que não gosta mais de velas. E mesmo assim sempre as acende. Tanto no jantar como em volta da cama. Fala que não gosta mas faz isso porque sabe que eu amo. Você sabe do meu sorriso quando você faz isso. E por falar em sorriso, adivinha qual a reação do meu irmão quando falei que vamos levar os convites na semana que vem? É acertou, ele quer te matar. Veio com aquela historinha de que se você não me fizer bem você sabe o que te acontece. Aquela mesma historinha que ele contou durante nosso namoro inteiro. Mas no fundo ele sabe que você não poderia me fazer mais feliz. Ele acha que eu não sei disso, mas já ouvi ele dizer. Por falar em convite, ainda estou esperando você fazer aquele que você disse que ia fazer. Era alguma coisa sobre a gente escolher o lugar que vamos depois do tão sonhado dia. Falando nisso a agência de viagens ligou e quase que a mulher me conta o lugar. Não sei porque você quer que seja surpresa. Sabe que sou curiosa. Igual àquela vez em que você insistiu para saltarmos de asa delta. Quase chorei mas fui. Por sinal, o pôr do sol estava lindo. E ainda acho que foi muita coincidência a gente ter caído na praia perto de uma mesa com vinho e velas. Você diz que não, mas já te falei que quando você me engana você sorri de um jeito diferente e mexe a sobrancelha? É, eu sempre sei. Meu bem, volta quando? Não esquece que hoje tem jogo do nosso time e que comprei o filme que você tanto queria ver. Por falar em ver, vi o bilhete que deixou no espelho do banheiro, só não deu tempo de responder. Estava ocupada lendo a carta que me deixou ao lado dos bombons. Amanhã bem cedo te acordarei daquele jeitinho que você gosta e prometo que deixarei a resposta do bilhete, como se você já não soubesse né. Lembra que dia vai ser amanhã? Não esquece ein. Sei que te lembro todos os dias mas é para não esquecer mesmo, que é mais um dia que você me faz questão de mostrar que é diferente de qualquer um que tenha passado na minha vida. Por falar nisso, hoje ainda não te agradeci. Por esses anos todos você ter sido a melhor coisa que me aconteceu. Mas dessa vez queria agradecer de um jeito diferente. Quer saber. Vem cá.

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