Eu mergulho fundo. Talvez façam eu me afogar, talvez me façam perder o ar. Mas ficar no raso não dá. (Eu)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Os bêbados também amam

Chegamos loucos, deitamos ao pé da cama e rimos. Rimos muito, rimos de tudo que tivéramos feito naquela noite. Rimos do que falamos no bar, rimos do quanto bebemos, rimos olhando um ao outro, rimos e chegamos perto. Foi-se o beijo. Me deitou em sua cama e me beijou tão docemente. Enquanto passava sua mão em minha nuca e colocava-me o cabelo atrás da orelha. Tirou a camiseta, nem lembro que cor era, lembro mesmo era daquela cena. Quando ele a tirou e ficou em minha frente, percebi que eu não tinha escolha, eu já estava entregue. Quando havíamos tirado tudo, deitamos. Ele veio, veio como quem não quer nada, veio como quem quer tudo, só veio. Lembro-me dele beijando meu pescoço. Ah, que sensação foi aquela! Foi então que meu pensamento voou, voou tão longe e voltei para aquele quarto alguns minutos depois. Quando abri os olhos já estava beijando cada pedaço do seu corpo, deslizando-me sob ele, dedilhando seu corpo como quem dedilha seu violão preferido. E que violão era aquele que eu estava a tocar! E novamente me perdi. Perdi-me naquele quarto, naquela cama, naquele beijo. Lembro-me dele falando sobre mim, coisas que nunca houvera escutado, coisas que adorei tê-las escutado, coisas que me encantaram assim como seu perfume. Volte e meia eu voltava a sonhar e levar meus pensamentos para o longe, para quando o conheci, quando o vi sorrir a primeira vez, quando nos olhamos no bar de uma maneira! Maneira a qual nunca tivéssemos nos olhado. Ia e voltava. Voltava e ia. Quando voltei a mim, ele estava deitado e eu sob o peito dele, voltamos a rir, voltamos a contar coisas que nunca nem desconfiávamos. Assim como eu já havia o desejado, era recíproco. Nos olhamos, estava escuro, somente a luz do notebook, tocando Pink Floyd, refletia naquele quarto. E nós refletíamos debaixo daquele lençol. Era errado e era certo. E daquela noite, a única coisa da qual me arrependo, era ter bebido além do que devia. Não queria lembrar-me somente dos pequenos flashes mas da noite inteira, cada frase dita, cada riso dado, cada beijo trocado, cada mão deslizada, cada tesão sentido.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Primeira vista

- Ei, posso perguntar seu nome?
- Posso te deixar curioso?
Abaixou a cabeça e sorriu.
Fui saindo devagarinho, como quando se quer que o assunto continue...
Me puxou.
- Posso sugerir do que devo lhe chamar?
- Como?
- Minha futura!
- Futura o que? Sorri.
- Depende.
- De que?
- De qual proposta minha você aceitar...
- E qual será a primeira?
- Te espero aqui, neste lugar, hoje, às 20 horas. Tudo bem, minha futura companhia?
- Bem, devido seu atrevimento, venha aqui, neste lugar, hoje, às 20 horas e aguarde. Se eu chegar é porque também gostaria de saber seu nome, se eu não vier, nunca saberás o meu.

Fizemo-nos companhia a noite inteira.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Ao chegar à sua casa toquei a campainha e então correu. Esqueceu-se do olho mágico e abriu a porta depressa, me puxou pela cintura e me beijou. Convidou-me para entrar. A mesa estava arrumada; apenas um prato, uma taça e uma vela. Acabávamos de cair no sofá quando se levantou e me ofereceu um vinho. Ergueu-me, enrolei minhas pernas em sua cintura e nos beijamos pela casa; derrubamos quadros, livros, cadeiras. Empurrou o que estava em cima da mesa para o chão, e me deitou. Beijava-me a boca e desabotoava minha blusa, beijava-me o pescoço e desabotoava minha calça, beijava-me o corpo inteiro e atirava minha roupa ao chão. Enquanto sussurava em seu ouvido puxava-me o cabelo da nuca, arranhava-lhe as costas e apertava-me a coxa. Era para ser só mais uma noite de filme. Me surpreendeu. Por fim, repetimos.

domingo, 24 de março de 2013

Sequência do fazer amor

Olhar
Sentir
Mãos
Rosto
Queixo
Lábios
Língua
Pescoço
Mordida
Unhas
Corpo
Carinho
Provocação
Menina
Mulher
Anseios
Arrepio
Dominação
Cansaço
Enlouquecer-se. Aconchegar-se.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

E as vezes a gente só quer um abraço
uma passada de mão no rosto
um entrelaçar de dedos nos cabelos da nuca
um arrepio na espinha dorsal
e um palpitar acelerado no órgão cardíaco.


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Con un lenguaje coloreado y poético, va reflejando en la retina colores distintos. Una mezcla de amarillo, con morado, con rosa. Mientras la llovizna escurre en sus ramas, las grandes ramas largas, atadas en la copa, su tronco alto y vetusto hace con que cuando paramos en la calle no nos cansemos de mirar sus bellas flores. En la primavera renace, formando un ramillete de piezas delicadas que en otoño se caen lentamente al sabor del viento, bailando en el aire hasta llegar al suelo. En el horizonte, los ipês lado a lado, hacen componer un paisaje hermoso, construyendo una fiesta de colores y encanto.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Estranho

essa coisa de querer
alguém para si.
de sentir,
de sorrir,
de querer alguém para si.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Quando não tiver mais assunto, beijar.
A cara de sono, de bravo, o cabelo despenteado.
E então você há de me tirar suspiros
tirar risos, tirar a roupa.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

E no meio de um pensamento,
a gente se da conta,
e fica lembrando do que aconteceu,
o que se passou.
E no meio do dia,
a gente se pega sonhando,
e fica relembrando do tempo
o que se passou.
E no meio da noite,
a gente se pega acordado
e fica puxando na memória
o que se passou.
E no meio de tudo isso
a gente se perde
e fica perdido
até se encontrar.
Desenhei teu rosto no teto do meu quarto,
para dormir sempre te olhando.

365 dias

domingo, 24 de junho de 2012

- Vamos fugir?
Estava esperando esse convite!
- Para onde?
Para qualquer lugar que seja sussegado, calmo e bonito.
- Todo dia de manhã, flores que a gente regue.
E que tenha uma rede pra gente deitar à tarde e de noite ficar vendo o céu.
- Teria coragem de uma loucura dessas por amor?
Eu teria. Amor a gente só tem um, vida a gente só vive uma vez. Tem que aproveitar enquanto dá, fazer o que tiver vontade, não ficar se limitando, pensando que não pode dar certo, tem que sempre arriscar.
- Verdade. Vamos fugir quando então?
Vou pegar minhas coisas, passo ai em 5 minutos, tá bom?

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Amar é descobrir os avessos. É olhar o outro lado, o nunca visto, o não investigado. Amar é exercício de investigação, de constante e atenta observância. Só o observar silencioso da existência nos capacita para uma formulação de palavras. Só pode dizer alguma coisa sobre uma pessoa, aquele que soube demorar, que soube ficar, permanecer, vigiar, descobrir. As palavras reveladoras só nascem depois da observação silenciosa. Uma mulher não se sente amada no momento em que o homem lhe proporciona uma noite de amor, apenas. Mas sobretudo no momento em que se sentam à mesa de um restaurante, e sem que ela diga nada ele lhe pede o prato favorito. Amar é descobrir os gostos, os sabores particulares, os desejos mais ocultos. Amar é saber a cor favorita, o número que calça os pés, o que causa medo e o que encoraja.

Padre Fábio de Melo

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Transbordar

Felizes os que amam
e não desejam nada em troca
senão o amor de quem se ama
que o coração se derrama
de tanto amor que lota.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Epitáfio

Aqui jaz a rosa
que criou numa só prosa
tão terna tão formosa
de fosca à luminosa.

A rosa entregue a ela
a vermelha Rosa bela
a mais linda donzela
aquela que se fez vela.

A luminosa, escureceu
a vela, apagou
a rima, acabou
e quem por hora nunca amou, morreu.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Enquanto a neve cai lá fora, nós caimos aqui dentro.
Dentro de casa, dentro de si.
Se perder. Nos lábios, nas curvas, nas suas, nas minhas.
Teu corpo me convida.
Então chega mais perto.
Está bom?
Mais.
E agora?
Sempre mais.
Nos perdemos.
Me puxa pela cintura, prolonga o beijo, me arrepia a nuca.
Abraço quente que aperta, agarra os lençóis, ama baixinho.
Amor que não se cansa.
Me provoca, me acaricia com o olhar.
Dedilha-me, como se dedilhasse um violão.
Desliza-me a perna, como uma dançarina desliza o tango.
O corpo que se desloca, o lábio que toca, o olho meigo que encara.
Foi-se uma noite de amor.


sexta-feira, 27 de abril de 2012

Veracidade

Eu me desmonto inteira e um segundo depois me refaço em pedaços.
Sublime dia em que você me perguntou se a cadeira estava ocupada
e eu disse não.

Um lugar qualquer da rua XX



Era noite de um sábado, lá fora chovia forte e o vidro do carro embaçado. A cada semáforo vermelho, nos beijávamos e sua mão deslizava. Riámos de coisas bobas, conversávamos sobre o dia no trabalho, falávamos sobre a correria do dia, o sofá da sala, a cama do quarto. Relembrávamos da noite anterior. Silêncio. Passando por uma rua escura, ele resolveu parar. Estacionou o carro numa rua estreita e sem movimento. Estávamos só nós, a luz no poste e o barulho do relógio. Afastou o banco para trás, travou as portas, foi quando eu sorri e ele me puxou. Me puxou pela cintura, por baixo da blusa e começou a lentavanta-la. Começou por beijar o canto da boca, depois seguiu para ela. Enquanto segurava a nuca não mudava o olhar, continuava com os olhos fixos aos meus. Deitou-me sobre o volante, beijando-me o pescoço, mordeu. Ao deslizar o corpo desabotoou a camisa. Seguia os beijos. Seguia a mão. Seguia o desejo. Os lábios descendo à barriga, desabotoou a calça. Sussurrou: E agora? Você é quem decide, respondi. Sorriu. Segurou-me forte. Encaixou-se. Nos esquecemos de nós mesmos, do tempo, do mundo. Já era madrugada quando um policial bateu no vidro. Nem escutamos. Embaçamos o vidro ainda mais. Começou a bater forte na porta, nós achando que era nós mesmos. Começou a ficar mais forte e mais forte, rápido e lentamente, quando puxei seu cabelo e me apertou a cintura. Te amo dissémos juntos. E o que tinha ficado mais forte continuou, era o policial batendo, tivémos que nos arrumar. Quando abrimos a janela, veio uma luz forte da laterna, nos distraiu os olhos. Na verdade era o sol a bater no rosto enquanto acordo.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

És o homem que anda em minha rua
branda, serena, luz da lua
faz-me adivinhar estranha loucura
que em teus braços procurarei ternura.

És o homem que tanto tanto ama
como o amor ama o barulho
como o mar ama o burbulho
como crepúsculo ama o escuro.

És o homem que me encanta
com letras me acalanta
com melodias me canta
com as notas me balança.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

(a)caso

De caso com o acaso
se for por acaso
eu caso
se não for o caso
com o acaso
então não caso
espero o acaso
casar.